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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Beleza Americana e Foi Apenas um Sonho

(American Beauty, 1999, Sam Mendes)
(Revolutionary Road, 2008, idem)



Por alguma razão eu adorava Beleza Americana, mas revendo nos dias de hoje eu só percebo como ele é simplista em toda a sua crítica "ferina" ao american way of life (ainda mais vendo-o semanas depois do excelente Longe do Paraíso). Pra começar, o personagem de Spacey parece existir apenas para jogar um monte de frases feitas que são colocadas ali apenas para que o filme reforce o tempo todo seu ponto de vista (percorre sempre o caminho mais fácil para apresentar ao espectador sua mensagem, chega quase a ser didático). Não consigo entender esse "novo eu" que o próprio protagonista define, já que o filme simplesmente não demonstra nenhuma transformação que tenha ocorrido com ele, desde o início funcionando apenas como uma ferramenta utilizada para desmascarar a hispocrisia dos subúrbios (e os outros personagens parecem receber o mesmo tratamento superficial). O pior é que personagens como o do Chris Cooper não são satíricos, o filme realmente parece acreditar que caricaturas como aquela existem na vida real (e a reviravolta envolvendo ele me soa muito a "Crash"); são seres de plástico, muito longe de representar a tal "realidade" que o filme insiste em querer mostrar. O engraçado é que a tagline ("Look Closer...") parece ser até um aviso pro Sam Mendes, que tem uma direção bastante inexpressiva e passiva.



Já com Foi Apenas um Sonho... nada muda muito. É realmente frustrante ver um cineasta que não consegue aprender com os erros e faz um filme com temática semelhante repetindo praticamente todos os defeitos que eu apresentei logo acima. Há as mesmas frases de efeito que parecem ser ditas para que a cada minuto (literalmente) o filme possa ressaltar toda a insatisfação dos personagens em relação a sua vida pessoal, à hipocresia da vida nos subúrbios e todo aquele blá blá blá (novamente opta pelo caminho mais fácil - e, consequentemente, mais preguiçoso - para nos apresentar essas frustrações dos protagonistas, de modo que esse Apenas um Sonho também me soe muito superficial, sem naturalidade, tudo muito encenadinho, quase teatral). Eu não quero que o Mendes seja um novo Cassavetes (quer dizer, eu bem que queria, mas também não vou cobrar uma coisa dessas, né?), mas é infelizmente um cineasta bem comportado demais e com a mão pesada, então é um filme que infelizmente não ganha toda a intensidade que merecia. Na verdade, há um único momento, uma briga decisiva lá pelo terceiro ato, em que os personagens realmente parecem vivos, mas isso também é culpa da grande entrega da Winslet e do Di Caprio ao seus papéis, que conseguem elevar um pouco o filme (o Michael Shannon rouba a cena quando aparece, mas fica a sensação de que é um personagem que podia ter rendido mais - apesar dos tiques). Nesse ponto, é um filme que se localiza um degrau acima do Beleza Americana, mas ainda assim os pontos fracos pesam bem mais.