(Revolutionary Road, 2008, idem)

Por alguma razão eu adorava Beleza Americana, mas revendo nos dias de hoje eu só percebo como ele é simplista em toda a sua crítica "ferina" ao american way of life (ainda mais vendo-o semanas depois do excelente Longe do Paraíso). Pra começar, o personagem de Spacey parece existir apenas para jogar um monte de frases feitas que são colocadas ali apenas para que o filme reforce o tempo todo seu ponto de vista (percorre sempre o caminho mais fácil para apresentar ao espectador sua mensagem, chega quase a ser didático). Não consigo entender esse "novo eu" que o próprio protagonista define, já que o filme simplesmente não demonstra nenhuma transformação que tenha ocorrido com ele, desde o início funcionando apenas como uma ferramenta utilizada para desmascarar a hispocrisia dos subúrbios (e os outros personagens parecem receber o mesmo tratamento superficial). O pior é que personagens como o do Chris Cooper não são satíricos, o filme realmente parece acreditar que caricaturas como aquela existem na vida real (e a reviravolta envolvendo ele me soa muito a "Crash"); são seres de plástico, muito longe de representar a tal "realidade" que o filme insiste em querer mostrar. O engraçado é que a tagline ("Look Closer...") parece ser até um aviso pro Sam Mendes, que tem uma direção bastante inexpressiva e passiva.

Já com Foi Apenas um Sonho... nada muda muito. É realmente frustrante ver um cineasta que não consegue aprender com os erros e faz um filme com temática semelhante repetindo praticamente todos os defeitos que eu apresentei logo acima. Há as mesmas frases de efeito que parecem ser ditas para que a cada minuto (literalmente) o filme possa ressaltar toda a insatisfação dos personagens em relação a sua vida pessoal, à hipocresia da vida nos subúrbios e todo aquele blá blá blá (novamente opta pelo caminho mais fácil - e, consequentemente, mais preguiçoso - para nos apresentar essas frustrações dos protagonistas, de modo que esse Apenas um Sonho também me soe muito superficial, sem naturalidade, tudo muito encenadinho, quase teatral). Eu não quero que o Mendes seja um novo Cassavetes (quer dizer, eu bem que queria, mas também não vou cobrar uma coisa dessas, né?), mas é infelizmente um cineasta bem comportado demais e com a mão pesada, então é um filme que infelizmente não ganha toda a intensidade que merecia. Na verdade, há um único momento, uma briga decisiva lá pelo terceiro ato, em que os personagens realmente parecem vivos, mas isso também é culpa da grande entrega da Winslet e do Di Caprio ao seus papéis, que conseguem elevar um pouco o filme (o Michael Shannon rouba a cena quando aparece, mas fica a sensação de que é um personagem que podia ter rendido mais - apesar dos tiques). Nesse ponto, é um filme que se localiza um degrau acima do Beleza Americana, mas ainda assim os pontos fracos pesam bem mais.