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sábado, 8 de novembro de 2008

A Promessa

(La Promesse, 1996, Jean-Pierre & Luc Dardenne)



Jean Pierre & Luc Dardenne parecem fazer cinema com um principal (único?) objetivo: a de nos apresentar pequenas estórias sobre pessoas comuns vivendo situações extremas, fazendo um estudo detalhista e objetivo sobre seus personagens, e sempre com uma câmera que faz questão de estar próxima a eles, de não perder um gesto ou um olhar. Alguns, no entanto, podem afirmar que a dupla se repete, que se entrega a fórmulas; sim, talvez eles estejam certos, já que as semelhanças existentes entre "A Promessa", "A Criança" e "O Filho" (os que vi deles; falta apenas Rosetta - e não gostei desse último da primeira vez que o vi, e obviamente tenho que revê-lo) estão longe de ser poucas: além de atenderem à "regra" que citei no início, todos estes três nos apresentam conflitos que se relacionam a pai e filho: em "A Criança", o pai adolescente precisa amadurecer para cuidar do filho recém-nascido; em "O Filho", um pai se confrontava com o assassino de seu filho. Mas o que torna cada filme especial é como e sobre qual prisma eles decidem explorar a situação.

Em "A Promessa" (e agora paro com as comparações e falarei mais sobre o filme em questão, prometo), filho (Jérémie Renier, protagonista de "A Criança") e pai (Olivier Gourmet, de O Filho) trabalham com o negócio de imigrantes ilegais, até que um dos "empregados" morre acidentalmente, e é nessa hora que o filme "explode" (essa introdução seguida de algo que mudará a vida dos personagens é bem típica deles também). O que sempre é explorado, desde o início, é a cumplicidade existente entre o pai e o filho; a todo momento os Irmãos Dardenne se interessam por construir um panorama geral desta relação (o trabalho em conjunto, as brigas, mas também os momentos de amizade, etc.) e, após o tal acontecimento, nos mostra a decomposição dessa cumplicidade, devido especialmente ao choque de interesses. E é aí que "A Promessa" se aproxima muito do principal tema de "A Criança" (foi mal, voltei às comparações): o amadurecimento. O personagem do filho, para tentar cumprir a promessa feita ao empregado pouco antes deste morrer, precisa assumir responsabilidades e contrariar ordens do pai para cumprir esse objetivo (e até abre mão das brincadeiras com seu kart). Essa trajetória é contada sempre de modo cru e sufocante pelos irmãos, sem se utilizar de nenhum tipo de trilha sonora, e extraindo atuações bastante naturais de todo o elenco, provando que às vezes uma câmera na mão e uma idéia na cabeça pode ser suficiente. E o modo como decidem finalizar esta pequena grande estória traz uma mensagem implícita: a de que, mesmo que tenham parado de acompanhar a vida daqueles personagens, a vida deles continua.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cannes 2008

Saiu hoje a seleção dos filmes que estarão na mostra competitiva do Festival de Cannes deste ano, e com muita coisa boa:

24 City, de Jia Zhang-ke
Adoration, de Atom Egoyan
Changeling, de Clint Eastwood
Che (The Argentine e Guerrilla), de Steven Soderbergh
Un Conte de Noel, de Arnaud Desplechin
Daydreams, de Nuri Bilge Ceylan
Delta, de Kornel Mundruczo
Il Divo, de Paolo Sorrentino
Gomorra, de Matteo Garrone
La Frontiere de l'aube, de Philippe Garrel
Leonera, de Pablo Trapero
Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas
La Mujer sin Cabeza, de Lucrecia Martel
My Magic, de Eric Khoo
The Palermo Shooting, de Wim Wenders
Serbis, de Brillante Mendoza
The Silence of Lorna, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Synecdoche, New York, de Charlie Kaufman
Waltz With Bashir, de Ari Folman

O nível, como vocês podem reparar, está muito acima da média, com novos trabalhos de cineastas bastante importantes: Jia Zhangh-Ke; Clint Eastwood; Philippe Garrel; Wim Wenders (se bem que esse aqui... ah, deixa pra lá); Arnaud Desplechin (com Mathieu Almaric, Emmanuelle Devos e Catherine Deneuve fazendo novamente parte do elenco, após a obra-prima Reis e Rainha); Steven Soderbergh, cujo filme Che, que no total possui 4 horas de duração (!!! - o que não é necessariamente algo bom, aliás), foi dividido em duas partes, Guerrila e The Argentine; Irmãos Dardenne; Atom Egoyan; os argentinos Lucrecia Martel e Pablo Trapero, dos melhores dessa nova geração; a dupla de brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas, com Linha de Passe; e Charlie Kaufman, com a sua aguardada estréia na direção.

O júri será presidido pelo Sean Penn (em quem boto fé) e o festival terá início, se não me engano, no meio dos mês de Maio. Clique aqui para ver a lista completa.