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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cannes 2009



Há um ano escrevi um post comunicando sobre os indicados à Palma de Ouro de 2008 e repito o feito esse ano. Muitos nomes de interesse na lista, como o novo do Tarantino (Inglorious Bastards - que surpresa!), Resnais (Les herbes folles), Ang Le (Taking Woodstock) Haneke (Das Weisse Band), Johnnie To (Vengeance), Almodovar (Los Abrazos Rotos - esse não me interessa muito, na verdade), além de Tsai Ming-Liang (Visages, filme feito na França com elenco de peso - Mathieu Almaric, Jeanne Moreau, Fanny Ardant e Jean-Pierre Léaud), Elia Suleiman (The Time that Remains), Gaspar Noé (Soudain le Vide), Ken Loach (Looking for Eric - mas quem liga pra esse?), Marco Bellochio (Vincere), Park Chan-wook (Bakjwi), Von Trier (The Antichrist), mas não me anima tanto como a do ano passado (que tinha Martel, Desplechin, Dardenne, Garrel, Eastwood, etc.). Fora da seleção principal, teremos, no Un Certain Regard, novo trabalho do diretor de O Hospedeiro, Bong Joon Ho, com Mother (por que não na principal?); de Corneliu Porumboiu, romeno cujo último trabalho (À Leste de Bucareste) se tornou um hype meio injustificado, com Politist, Adjectiv; Kore-Eda (Kuki Ningyo), o mesmo de Ninguém Pode Saber, e também o brasileiro Heitor Dhalia, com À Deriva (não boto fé, aliás, mas espero me surpreender). Fora de competição vão ser exibidos ainda o novo Terry Gilliam, The Imaginarium of Doctor Parnassus, e Alejandro Amenábar (Agora), que não dirigia nada desde 2004, quando ganhou o Oscar por Mar Adentro.

Isabelle Huppert será a presidente do Júri, que ainda conta com Asia Argento e James Gray (que, nos EUA, por outro lado...). Para ver a lista completa, clique aqui.

sábado, 6 de setembro de 2008

Sobre o Festival de Veneza



A seleção desse ano estava bem fraca e eu estranhei bastante a pouca cobertura que o festival teve na imprensa (mas talvez eu que não tenha procurado direito), mas isso não diminui a surpresa de ver o novo filme do Aronofsky ganhando, na premiação que ocorreu ainda hoje, dia 6. Eu sou possivelmente o detrator #1 dele, mas confesso que esse The Wrestler me despertou desde o início muita curiosidade, especialmente por ter o excelente Mickey Rourke (foto acima - excêntrico, não?) como protagonista e pela trama que parece se distanciar da filosofia barata do A Fonte da Vida, que é um horror (Réquiem eu acho ainda pior, aliás).

Para ler mais, clica aqui, bicho.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Um pouco sobre os vencedores de Cannes 2008


Muito irônico e curioso que, em um ano em que o Festival de Cannes apresentou uma seleção oficial que continha os cineastas mais badalados do Cinema atual (e medalhões como Clint Eastwood – que, como não podia sair sem nada, acabou levando um prêmio especial, assim como a Catherine Deneuve), o filme vencedor seja um que foi um tanto ignorado (digo: em relação aos seus concorrentes) no momento em que saiu a lista com os indicados: Entre Paredes, de Laurent Cantet, um nome que para mim era até então desconhecidos, apesar de conhecer de nome (o que não conta em nada, aliás) alguns de seus projetos, como Em Direção ao Sul.

Quem acompanhou de perto a cobertura do festival, no entanto, viu o lobby em torno do filme crescer consideravelmente nesses últimos dias, tendo sido exibidos apenas (se eu estiver errado, me corrijam, por favor) na sexta-feira, ganhando logo vários elogios por parte da crítica, até onde sei o mais próximo que um filme presente na competição chegou de uma unanimidade. Tendo em vista o fato de que a França não ganhava a Palma desde 1987, quando Sob o Sol de Satã, de Maurice Pialat, levou a melhor e de que Entre Paredes é um filme com uma proposta social/política (e Sean Penn deixou claro em seu discurso de abertura que o vencedor seria um projeto com tal característica), o prêmio para Cantet virou quase que uma certeza.

Cheguei a apostar, ainda no início do festival, que o vencedor seria Um Conte de Noel, pensamento que foi perdendo a força com o passar do tempo, mas não esperava que o trabalho de Desplechin fosse sair de mãos vazias. Depois comecei a sugerir uma possível vitória de Gomorra, de Matteo Garrone, que, se acabou não ficando com o prêmio máximo, levou o Grande Prêmio do Júri (e outro italiano também foi premiado: Il Divo, que venceu o Prêmio do Júri). Na categoria de ator quem ganhou foi mesmo Benicio Del Toro, por Che, vitória já esperada e que o transforma logo em grande favorito ao Oscar. Em atriz, por outro lado, ocorreu uma surpresa, com a brasileira Sandra Corveloni vencendo por Linha de Passe, novo filme de Walter Salles e Daniela Thomas.

Para os interessados, aí vão dois trailers: o primeiro, de Entre Paredes, e o segundo, de Gomorra:


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cannes 2008

Saiu hoje a seleção dos filmes que estarão na mostra competitiva do Festival de Cannes deste ano, e com muita coisa boa:

24 City, de Jia Zhang-ke
Adoration, de Atom Egoyan
Changeling, de Clint Eastwood
Che (The Argentine e Guerrilla), de Steven Soderbergh
Un Conte de Noel, de Arnaud Desplechin
Daydreams, de Nuri Bilge Ceylan
Delta, de Kornel Mundruczo
Il Divo, de Paolo Sorrentino
Gomorra, de Matteo Garrone
La Frontiere de l'aube, de Philippe Garrel
Leonera, de Pablo Trapero
Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas
La Mujer sin Cabeza, de Lucrecia Martel
My Magic, de Eric Khoo
The Palermo Shooting, de Wim Wenders
Serbis, de Brillante Mendoza
The Silence of Lorna, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Synecdoche, New York, de Charlie Kaufman
Waltz With Bashir, de Ari Folman

O nível, como vocês podem reparar, está muito acima da média, com novos trabalhos de cineastas bastante importantes: Jia Zhangh-Ke; Clint Eastwood; Philippe Garrel; Wim Wenders (se bem que esse aqui... ah, deixa pra lá); Arnaud Desplechin (com Mathieu Almaric, Emmanuelle Devos e Catherine Deneuve fazendo novamente parte do elenco, após a obra-prima Reis e Rainha); Steven Soderbergh, cujo filme Che, que no total possui 4 horas de duração (!!! - o que não é necessariamente algo bom, aliás), foi dividido em duas partes, Guerrila e The Argentine; Irmãos Dardenne; Atom Egoyan; os argentinos Lucrecia Martel e Pablo Trapero, dos melhores dessa nova geração; a dupla de brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas, com Linha de Passe; e Charlie Kaufman, com a sua aguardada estréia na direção.

O júri será presidido pelo Sean Penn (em quem boto fé) e o festival terá início, se não me engano, no meio dos mês de Maio. Clique aqui para ver a lista completa.

sábado, 19 de abril de 2008

18º Cine Ceará



O Cine Ceará chegou em 2008 à sua 18ª Edição, e também marcou a minha primeira visita ao festival. Desde que passou a ser formada por filmes íberos-americanos, a seleção nunca chegou a me atrair muita curiosidade, até porque não havia nenhum grande destaque. Neste ano, por outro lado, o repertório ficou bem mais rico. Infelizmente só tive a oportunidade de conferir Luz Silenciosa, um excepcional filme de Carlos Reygadas, que me deixou destruído (não sei se vai ter texto, é demais pra mim), mas queria muito ter comparecido às sessões de outros filmes, como Falsa Loura, o novo trabalho de Carlos Reichenbach, que foi apresentá-lo com uma hilária peruca loura; O Grão, a estréia de Petrus Cariry nos longas-metragens, que é um cineasta que parece ser bastante querido aqui no Ceará; e Os Desafinados, a volta de Walter Lima Jr. às telonas. Antes das principais sessões, alguns curtas foram exibidos, e tive a oportunidade de ver três deles (e infelizmente não peguei o título dos dois primeiros): um parecia ser uma bobagem experimental, mas também não posso criticar tanto pois cheguei na metade; o seguinte possuia um ponto de partida interessante (mostrar no que se transformaram os antigos cinemas da cidade - e às vezes peca um pouco pelo didatismo), mas simplesmente não conseguia entender o que estava sendo dito, áudio muito fraco; o último, O Vampiro do Meio-Dia, já foi bem mais interessante e acima da média, apresentando a união entre o calor infernal de um dia no Rio com hormônios adolescentes fervilhando. Agora, algo que afetou negativamente o festival foi o péssimo sistema de ventilação, vergonhoso (a imagem mais constante de se ver por lá era uma pessoa se abanando). O Cine São Luiz, que é visualmente lindo, não merecia tal tratamento.

Para conferir a lista de vencedores da premiação, clique aqui. Reygadas, aliás, foi merecidamente lembrado.


Trailer de Luz Silenciosa