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segunda-feira, 20 de abril de 2009

The Limits of Control



Aproveitando que acabei de falar de um filme do Jim Jarmusch, o escolhido para essa semana é o seu novo trabalho, The Limits of Control, que já ganhou trailer (o vídeo abaixo) e que estreará nos EUA já no mês que vem (no Brasil creio que não exista ainda uma data definida). Segundo o IMDB, o filme falará sobre "The story of a mysterious loner [muito surpreendente, se tratando de Jarmusch, não?], a stranger in the process of completing a criminal job.", e para por aí. Como podemos perceber, muito pouco material foi divulgado, mas, por essa descrição, imagino que um filme mais próximo de um Ghost Dog, segundo uma linha mais voltada pro thriller, do que de um Flores Partidas, o último filme do diretor, feito há 4 anos. No elenco temos Bill Murray (que por si só já representaria uma razão preu ver esse filme), John Hurt, Tilda Swinton, Gael Garcia Bernal e Isaach De Bankolé (o sorveteiro haitiano de Ghost Dog), que aparentemente é o protagonista da estória.

sábado, 18 de abril de 2009

Ghost Dog

(1999, Jim Jarmusch)



Em Dead Man, Jim Jarmusch pegou elementos do western, jogou no liquidificador e fez um filme muito estranho se pegarmos como referência a história do gênero, mas que se encaixa com perfeição dentro da filmografia do cineasta. Ghost Dog foi feito 4 anos depois e serve como uma sequencia natural: nada a ver se pegarmos a trama como exemplo, mas dá continuidade a esse processo de desmitificar certos gêneros que Jarmusch iniciou em Dead Man. Se naquele Jarmusch procurava reconstruir o faroeste, Ghost Dog entra em um território ainda mais amplo, o dos filmes de gangsters ou os de samurai, desconstruindo o tempo todo caricaturas e criando personagens totalmente inusitados (há, por exemplo, um mafioso que curte Public Enemy e o próprio protagonista, um samurai negro). Jarmusch sempre se interessou em fazer retratos da América, mas em Ghost Dog ela se apresenta do modo mais diversificado (etnica e culturalmente) possível, como esses dois personagens citados podem comprovar (além, é claro, de Raymond, um sorveteiro haitiano que não sabe falar inglês, mas que curiosamente é o melhor amigo do protagonista). O ritmo, como sempre, é pausado e lento, mas é um filme que vai surpreendendo com o passar do tempo, se mostrando extremamente denso, especialmente no sangrento terceiro ato, com elipses que me levaram de volta à atmosfera de Onde os Fracos Não Tem Vez. Ghost Dog, o personagem, também é o típico herói jarmushiano, mas não sendo apenas um esteriótipo; é alguém que parece desconectado com a ordem do mundo atual (alguns personagens o comparam à antigos gangsters, outros dizem que seu nome é símilar aos índios ou aos atuais rappers) que procura seguir as regras antigas (a excelente cena envolvendo caçadores de urso deixa isso bem claro). Desse modo, o desfecho trágico, em que o faroeste de Dead Man é retomado, me parece mais do que apropriado.

PS: Destaque também para a ótima trilha sonora do RZA, a cabeça do Wu Tang-Clan (e não me surpreenderia se Jarmusch tivesse se inspirado no grande Enter The Wu-Tang para fazer este Ghost Dog).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Dois Filmes de Jim Jarmusch

Primeiramente, vão me desculpando a falta de atualizações (apesar de eu achar que realmente ninguém se importa), e o pior de tudo é que dessa vez é por descaso mesmo, já que atualmente tenho tempo livre de sobra. Tô vendo muitos filmes e vou tentar deixar de preguiça e escrever sobre o que eu tenho (re)visto dos Irmãos Coen e do Billy Wilder. Enquanto isso, coloco aqui dois textos que havia feito já há algum tempo, mas só agora passei a limpo.

Dead Man (1995)


É um típico filme do Jim Jarmusch, com a diferença de vir transvertido de western, o que certamente só melhora a experiência de vê-lo. O ritmo lento e pausado que caracterizam a obra do cineasta se encaixa muito bem dentro desse gênero, mas os seus elementos são reconstruídos de modo que possam adentrar melhor no universo jarmuschiniano: o protagonista vivido por Johnny Depp, assim como o John Lurie de Estranhos no Paraíso ou o Bill Murray de Flores Partidas, se encontra completamente desorientado, uma pessoa ainda à procura de um lugar, perdidos em um ambiente desconhecido. Com o passar do tempo, Dead Man também ganha uma conotação mística, especialmente devido ao personagem do índio, cuja construção passa longe do convencional (é um homem solitário e que ajuda o protagonista a ganhar um maior conhecimento espiritual). É uma espécie de jornada existencial e também um trabalho bastante atemporal: não parece de modo algum ter sido feito em 1995, mas também passa longe de ser um faroeste dos anos 40/50. Deve estar perdido em um lugar qualquer, assim como todos os heróis de Jim Jarmusch.

Down By Law (1986)

A imagem “http://www.bergen-filmklubb.no/images/Down_by_Law.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Down by Law confirma qual é o verdadeiro foco e principal obsessão do cinema de Jim Jarmusch: contar estórias sobre desajustados. Por isso mesmo se aproxima bem mais de um Estranhos no Paraíso (um belo filme, mas um tanto decepcionante - e acabou não ganhando foco nesse texto porque já o vi há bem mais tempo que esses outros dois) do que de um Dead Man, que, como disse acima, vem embalado de filme de faroeste. Por outro lado, são dois trabalhos que se aproximam bastante devido àquela atmosfera meio lírica (não sei se esta é a palvra correta, mas enfim...). Os personagens mais uma vez se encontram perdidos em uma América desolada, homens solitários buscando o "lugar certo"; são autênticos "rain dogs", "outsiders" por excêlencia (talvez por isso mesmo que a escolha do genial - tanto como músico quanto como ator - Tom Waits para viver um dos protagonistas é mais do que acertada).

Possui certas irregularidades no ritmo, mas nada de imperdoável: a primeira meia hora é toda muito boa (assim como a linda sequencia de abertura com Jockey Full of Bourbon, uma das minhas canções favoritas de Waits), mas o filme cai um pouco na parte seguinte, nas primeiras cenas na prisão, recuperando-se de vez com a entrada de Roberto Benigni, ator que geralmente acho insuportável, mas que aqui possui uma performance genial, memorável (pode não ser a alma de Down By Law, mas certamente é o coração). E é mais ou menos a partir da famosa cena do "We All Scream for Ice-Cream" (que devidamente recebeu um post só dela), quando a química entre os atores já parece consolidada e quando a relação entre filme-espectador já é completa, Down by Law se torna pra mim um daqueles filmes que te deixam totalmente absorvidos em todo aquele universo criado, uma sensação de bem-estar muito rara de se sentir (especialmente na vida real, é claro).

Para completar, temos ainda uma bela trilha sonora composta por John Lurie, também interpretando um dos papéis principais, fotografia lindona de Robby Muller, colaborador de Jarmusch em outros filmes como Estranhos no Paraíso, e um plano final que é realmente perfeito.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Momento Down By Law



I SCREAMA, YOU SCREAMA, WE ALL SCREAMA FOR ICE-CREAMA!

E, em breve, um pouco mais sobre Jim Jarmusch (espero, ao menos).