quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dois filmes do Carnaval

Dois deles (os outros foram Juno, já comentado, No Direction Home, que vai ganhar um post só dele, Dylan/Scorsese merecem, e dois Ed Wood, que também vão ganhar um espaço só pra eles):

Batman (1989, Tim Burton) - ***



Burton é bastante competente na criação da atmosfera do filme, sempre muito sombrio, gótico e também na caracterização da cidade, que parece sempre aparecer imersa em sombras, caótica (algo que também estava presente no primeiro filme da série, que lembro gostar, mas vi há muito tempo, prefiro não comentar - mas, se vocês decidirem escavar os arquivos do meu finado blog, provavelmente encontrarão um texto sobre o trabalho na época do lançamento de Batman Begins!), mas também é o seu trabalho mais impessoal, bastante distante. Michael Keaton é muito insosso e inexpressivo, não se encaixa muito bem no papel, então quem acaba por roubar todas as cenas é o grande Jack Nicholson, em uma interpretação genial, diabólica, entregando um humor perverso que faz muito bem ao projeto; é aí que notamos que estamos vendo um filme de Tim Burton, mas é uma sensação que não se instala em todos os momentos, infelizmente (curioso para saber como Heath Ledger encarou o personagem, parece estar ainda mais macabro). Ganha maior força em seu terceiro ato, quando nos é apresentada uma importante revelação sobre o passado de Batman e que faz com que seu conflito com o Coringa ganhe mais densidade; o mais triste, no entanto, é que, mesmo sempre tentando nos mostrar um protagonista mais complexo, ambíguo, nunca se aprofunda completamente no personagem. O filme, realmente, é todo do Coringa.

A Vida de Brian (Life of Brian, Terry Jones, 1979) - ***



É um filme que já vale a pena ser visto por sua ousadia em satirizar (com muita crítica ao fundo) os filmes e a própria história bíblica; aqui, Jesus é Brian, um fracassado e covardão que, mesmo adulto, recebe e obedece ordens de sua mãe, sendo também um tanto obcecado por sexo e relutante em aceitar que talvez seja o Messias. O humor é absurdo, baseando-se na criação de siuações puramente nonsense, e que funciona em muitos momentos, mas não em todos: chega a um ponto que, por mais criativos que sejam os caras que formam o Monty Phyton, tudo aquilo me cansou um pouco, se esgota, e algumas situações eu acho bem bobinhas, fora que eles parecem não saber quando parar. No geral, é um bom filme que diverte, mas muito superestimado.

3 comentários:

Anônimo disse...

Esse eh o primeiro filme da serie, o do Pinguim que eh Batman: O Retorno.

Anônimo disse...

http://imdb.com/title/tt0096895/

Rodrigo disse...

Jurava que fosse o segundo. Valeu!